quarta-feira, 9 de julho de 2008

LEMBRANÇAS DE UMA GUERRA

Débora não dormiu bem aquela noite. Estava muito confusa. Preferiu não conversar com Luiza. Na verdade não queria conversar com ela. Ficaria imaginando porque sentira ciúmes de Cassius. E o que a estava deixando pior: Ela acreditava que o garoto olhava para Luiza de uma forma diferente. Com esses pensamentos adormeceu e sonhou com portas e corredores mal iluminados. Mas, ao acordar, não se lembrou desses sonhos estranhos. A garota havia chego a conclusão que não conversaria nada com Luiza sobre o ocorrido. Ela não sabia dizer porque, mas apesar de estar um pouco confusa com seus sentimentos, havia uma voz em sua mente que a falava que não era algo de tão ruim se apaixonar por um amigo. Pois, apesar de sentir que ele não era um simples bruxo que a pouco conhecia, apesar de ser mais velho, ele se tornara, sem dúvida, um grande amigo.

Mais tarde ela chegou para a aula de História da magia sentindo o mesmo tédio e desânimo que sempre sentia ao ver a figura do professor fantasma passando por entre as carteiras e o vozerio entusiasmado dos colegas e sentou-se junto de Diego numa cadeira encostada à parede, pois nesse dia a sala toda estava vazia, exceto por um enorme baú perto da janela, onde o professor estava flutuando em cima, lendo distraídamente “O Pasquim”. Ele sorriu ao ver os alunos, parecia mais animado do que ela já o vira.

- Boa tarde classe. Coloquem suas mochilas no fundo da classe e quero todos fazendo um semi-circulo bem em frente, varinhas em punho! – e assim que todos os alunos tomaram suas posições, curiosos, ele desceu de cima do baú, num gesto rápido que arrancou gritinhos das garotas. – Pois bem, hoje presenciaremos um marco histórico! A Revolta dos Trolls, sim... Graças ao nosso alvíssimo diretor que me conseguiu uma lembrança de um antigo bruxo amigo seu Nicolau Flamel que não só viveu na é poca da guerra como também participou dela na luta contra esses terríveis seres.

Alguns alunos reprimiram comentários de desagrado ao ouvir falar na guerra dos trolls, já que sempre o professor falava no mesmo assunto, mas continuaram, assim como toda a classe, fascinados com a idéia de vivenciar aquela guerra, inclusive (e mesmo contra a sua vontade) Débora.

- Mesmo que muito deles tenham sido eliminados na grande guerra, os trolls ainda estão por aí, habitando lugares escuros e imundos, se alimentando de musgos e restos de animais. - O Baú se abriu magicamente onde se via uma grande bacia entalhada, e ao seu lado, um frasquinho de cristal.

- Uma penseira? – nunca havia visto uma ao vivo, embora já as conhecesse dos livros.

- Muito bem srta Summers, foi a primeira a reconhecer nosso objeto de estudo. Uma penseira. E esta é a memória de Nicolau Flamel - o professor explicou, retirando o frasquinho de cristal do baú e despejando o conteúdo do frasquinho na bacia. Mexeu-o com a varinha como se fosse uma poção cozinhando num caldeirão raso. Quando achou que estava tudo bem mexido o suficiente, voltou-se aos alunos. - Bem, agora todos com varinha em punho, a apontem para a penseira e repitam em alto e bom som Teleportus! Isso fará com que o efeito da penseira atinja seu maior nível e que a lembrança possa comportar todos nós. Todos estão prontos? - perguntou o professor aos alunos que acentiram que sim. - Pois bem, então no três. Um... dois... três!

- TELEPORTUS! todos disseram e quando se deram conta já não estavam mais na sala de aula.

Diego olhou em volta. Encontravam-se em um vilarejo desconhecido. Uma casa em ruínas dominava a paisagem. Parecia ter sido destruída recentemente, porque as paredes ainda sofriam pequenos desmoronamentos aqui e ali.

De dentro dela Nicolau Flamel, já com uma aparência bastante velha saia trazendo em uma de suas mãos uma pedra vermelha como o sangue e em outra um frasco com uma bebida tão vermelha quanto a pedra. Ele tomou o liquido em goladas e magicamente se recompôs. Sua aparência agora era mais jovial, e Diego jurava ter visto alguns fios brancos lhe sumirem na cabeça.

OS TROLLS ESTÃO VINDO!!!

Uma multidão de bruxos corria na direção onde estavam os garotos e Flamel, todos muito desesperados, lançando feitiços para traz a fim de afastar o que lhes seguiam. Foi aí que Luiza avistou uma figura horripilante, que não vinha só... Os trolls espumavam pela boca e estavam sedentos por sangue bruxo.

- O que houve? - Perguntou Flamel a um dos bruxos que também corria em sua direção.
- Os trolls perderam controle! Estão nos atacando!
- Soube que alguns bruxos invadiram as colinas onde os trolls habitam, deve ser por isso a fúria. - Disse Nicolau se colocando a correr também.
- A história é outra meu amigo! Alguém encontrou uma tal pedra filosofal que era guardada por eles. E ao que tudo indica foi um bruxo. por isso essa revolta.

Nicolau guardou a pedra vermelha que estava ainda em suas mãos nas vestes.

- E o que o ministério pensa em fazer?
- Mandará Aurores! Mas enquanto isso... CORRA!

Uma escuridão dominou o ambiente e os garotos se encontraram de novo na sala de aula. O professor tomou a palavra, os alunos estavam todos como que ipnotizados.

- Vejam que era apenas uma lembrança. Mas muito valiosa pois nos mostrou o por que dos trolls terem se rebelado... Pois bem, chega de diversão e vamos a aula! – Ele disse, e magicamente as carteiras que estavam amntoadas no canto da sala retomaram seus lugares, lado a lado - agora abram os livros na página 67, leiam o texto e me façam um resumo sobre a Revolta dos Trolls, só 30 cm, vamos gente, a vida não é só feita de diversão... Alguem sabe o motivo do Sr Potter, Srta Grnger e o Sr Weasley não compareceram a esta aula? Não? Muito bem, então mãos obra pois daqui a pouco nossa aula acaba.

Deeh e Diego sentaram juntos, nas últimas carteiras e fizeram a atividade em silêncio. Em intervalos de tempo Débora olhava para Luiza, ela absorta na leitura, embora sentia o corpo da amiga tremer levemente.

Ao ouvir o sinal eles saíram apressados. O Professor chamou Diego para falar sobre o último dever do garoto, na verdade – pensava Débora – para receber as chamados “presentes por bons trabalhos” inventados pelo professor.